Chove. A alguns metros de um novo mundo, aproximam-se dedos e chapéus. Já marcavam mais que dez horas da manhã de terça-feira, quando um jovem esguio foi a um espetáculo. Peles oleosas, peles secas, com ou sem pêlos, e muitas outras formas volumétricas marcavam o ambiente. Um som forte, longe ou molhado perfazia o cenário, que, ao mesmo tempo, era de muito brilho e de emoções. Aplausos. Silêncio das descrições. Descendo as escadas, nenhum sentido fazia sentido. Pés em todas as direções e o caminho sendo feito por um compasso firme, com tropeços e enganos.
Pé ante pé. Os dedos tocam a parede: imediatamente, o corpo é transpassado pelos centímetros de concreto até a Ilha de Manhattan. Sobe ou desce? Up or down? O Brasil continuava ali, mas os dedos guiavam para longe. Tal qual a força de um pensamento, a vontade de tempos idos movia os quirodáctilos para o inusitado desconhecido. Nem a Física supunha essa bizarra possiblidade de um corpo ocupar dois espaços tão distintos;muito menos permite a máxima de dois corpos ocuparem o mesmo espaço. A aldeia onde moro é mais universal que as leis da gravitação; a escrita, nem tanto.
Passados trinta segundos, a Terra gira e o suporte das falanges metacarpianas retorna ao ponto de partida, com a porta do elevador aberta, com volumes e a falta de volumes habituais à sua vida em destaque. O que mais importa é a diferença - seja diferente.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Mamãe já sabia
A velha orientação de nossos pais da mais longínqua e remota infância ainda mantém-se atual. Num espaço altamente visitado, por jovens do mundo inteiro, sai a informação da origem recalcada de nossas mães, principalmente, com objetivo às avessas: mostra-nos, por probabilidades, a forma de como atrair seu parceiro(a) a uma noitada transviada. E daí? Uns indagarão. Realmente, nada demais. Indução ao álcool, a promiscuidade, a lesa-moral e ao corpus são condutas eticamente aceitas em nossa sociedade. Daqui a pouco, terá um algoritmo desse para crimes de latrocínios, corrupção, homícideos...para até os confins das mentes mais doentias.
Ter, 09 Dez, 04h48
Por Redação Yahoo! Brasil
Você está super a fim daquela menina e não sabe o que fazer para conquistá-la e roubar um beijo dela? Segundo a revista 'Playboy' dos Estados Unidos, a tequila é a bebida que deixam as mulheres mais 'facinhas' na hora da conquista. A publicação elaborou uma pesquisa com 860 garotas americanas, para mostrar como a bebida que elas escolhem no bar influi nas chances de a noite terminar em sexo.
Veja na lista a porcentagem de cada bebida que foi consumida pela mulherada e avalie se faz sentido elas terem cedido tão facilmente à 'cantada' dos homens, afinal quem não perde a cabeça quando toma umas doses de tequila ou uísque a mais?:
1º - Tequila (91%)
2º - Vodca (79%)
3º - Uísque (68%)
4º - Gim (67%)
5º - Rum (62%)
6º - Cerveja (48%)
7º - Conhaque (46%)
8º - Champanhe (23%)
9º - Vinho tinto (12%)
10º - Vinho branco (9%)
http://br.noticias.yahoo.com/s/09122008/48/entretenimento-10-bebidas-deixam-mulheres-facinhas.html
Ter, 09 Dez, 04h48
Por Redação Yahoo! Brasil
Você está super a fim daquela menina e não sabe o que fazer para conquistá-la e roubar um beijo dela? Segundo a revista 'Playboy' dos Estados Unidos, a tequila é a bebida que deixam as mulheres mais 'facinhas' na hora da conquista. A publicação elaborou uma pesquisa com 860 garotas americanas, para mostrar como a bebida que elas escolhem no bar influi nas chances de a noite terminar em sexo.
Veja na lista a porcentagem de cada bebida que foi consumida pela mulherada e avalie se faz sentido elas terem cedido tão facilmente à 'cantada' dos homens, afinal quem não perde a cabeça quando toma umas doses de tequila ou uísque a mais?:
1º - Tequila (91%)
2º - Vodca (79%)
3º - Uísque (68%)
4º - Gim (67%)
5º - Rum (62%)
6º - Cerveja (48%)
7º - Conhaque (46%)
8º - Champanhe (23%)
9º - Vinho tinto (12%)
10º - Vinho branco (9%)
http://br.noticias.yahoo.com/s/09122008/48/entretenimento-10-bebidas-deixam-mulheres-facinhas.html
terça-feira, 25 de novembro de 2008
No tempo, nada resiste
É difícil acreditar, mas a verdade e a justiça sempre vêm. Obviamente, não se deve sentenciar algo que já permanece em tempos idos. A moral transforma-se de maneira lenta e não se precisa dissertar linhas para fundamentar tal assertiva, pois outros tantos estão em estantes e em páginas, a fim de serem inqueridos sobre o tema. No caso da implicação de uma descoberta científica acerca do posicionamente relativo do planeta Terra, o que mais notabiliza-se é a mudança brusca e o salto qualitativo dos pensamentos da época. Ser ou não ser heliocêntrico significava perceber alterações nítidas de ética. Para o tempo, resta apenas a certeza constante
da presença dos fatos. Para o tempo, tudo é pouco.
CIDADE DO VATICANO (AFP) - O Vaticano quer reeditar as atas do julgamento de Galileu para "refrescar a memória" daqueles que acusam a Igreja Católica de ter condenado o célebre cientista (1564-1642) por suas teses sobre o universo, informou nesta terça-feira a agência Ansa.
"Galileo Galilei jamais foi condenado", declarou à agência Monsenhor Gianfranco Ravasi, presidente do conselho pontifical para a Cultura, à véspera da abertura de um congresso organizado pelo Vaticano sobre "a ciência 400 anos após Galileu".
A condenação de Galileu à prisão, pronunciada em 1633 pela Inquisição após um longo processo no qual se arriscava a uma condenação à fogueira, não foi, na realidade, jamais assinado pelo Papa Urbano VIII.
Mas o sábio, defensor da tese heliocêntrica do universo, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, foi obrigado a se retratar, concluindo sua preleção com a célebre frase "Eppur si muove".
O Vaticano, progressivamente, reconheceu seus erros no assunto Galileu, perseguido menos por suas teses propriamente ditas do que por suas implicações teológicas. João Paulo II o homenageou em 1992 e uma estátua do Grande Físico, Matemático e Astrônomo, deve ser instalada e inaugurada em 2009 nos jardins do Vaticano.
Um congresso sobre Galileu está sendo organizado em conjunto em Roma pelo conselho pontifício para a Cultura e o grupo industrial italiano Finmeccanica.
As Nações Unidas proclamaram 2009 ano internacional da astronomia para comemorar a primeira utilização de um telescópio por Galileu.
Durante a vida, o cientista elaborou a balança hidrostática que, posteriormente, deu origem ao relógio de pêndulo. A partir da informação da construção do primeiro telescópio, na Holanda, ele construiu a primeira luneta astronômica e, com ela, pôde observar a composição estelar da Via Látea, os satélites de Júpiter, as manchas do Sol e as fases de Vênus. Esses achados astronômicos foram relatados ao mundo através do livro Sidereus Nuntius (Mensageiro das Estrelas), em 1610. Foi através da observação das fases de Vênus, que Galileu passou a ver mais embasamento na visão de Copérnico (Sistema Heliocêntrico, o Sol como centro do Universo) em relação à de Aristóteles, onde a Terra era vista como o centro do Universo.
Por sua visão heliocêntrica, o astrônomo italiano foi a Roma em 1611, para tentar se defender da acusação de herege, terminando por assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, onde declarava que o sistema heliocêntrico era apenas uma hipótese. No entanto em 1632, ele deu continuidade aos seus estudos.
Em 1642, morreu cego e condenado por suas convicções científicas. Contudo, uma de suas obras (sobre mecânica) foi publicada mesmo com a proibição da Igreja, pois seu local de publicação foi em zona protestante, onde a interferência católica não tinha influência significativa. A mesma instituição que o condenou o absolveu muito tempo após a sua morte, em 1983.
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/081125/mundo/religi__o_vaticano
da presença dos fatos. Para o tempo, tudo é pouco.
CIDADE DO VATICANO (AFP) - O Vaticano quer reeditar as atas do julgamento de Galileu para "refrescar a memória" daqueles que acusam a Igreja Católica de ter condenado o célebre cientista (1564-1642) por suas teses sobre o universo, informou nesta terça-feira a agência Ansa.
"Galileo Galilei jamais foi condenado", declarou à agência Monsenhor Gianfranco Ravasi, presidente do conselho pontifical para a Cultura, à véspera da abertura de um congresso organizado pelo Vaticano sobre "a ciência 400 anos após Galileu".
A condenação de Galileu à prisão, pronunciada em 1633 pela Inquisição após um longo processo no qual se arriscava a uma condenação à fogueira, não foi, na realidade, jamais assinado pelo Papa Urbano VIII.
Mas o sábio, defensor da tese heliocêntrica do universo, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, foi obrigado a se retratar, concluindo sua preleção com a célebre frase "Eppur si muove".
O Vaticano, progressivamente, reconheceu seus erros no assunto Galileu, perseguido menos por suas teses propriamente ditas do que por suas implicações teológicas. João Paulo II o homenageou em 1992 e uma estátua do Grande Físico, Matemático e Astrônomo, deve ser instalada e inaugurada em 2009 nos jardins do Vaticano.
Um congresso sobre Galileu está sendo organizado em conjunto em Roma pelo conselho pontifício para a Cultura e o grupo industrial italiano Finmeccanica.
As Nações Unidas proclamaram 2009 ano internacional da astronomia para comemorar a primeira utilização de um telescópio por Galileu.
Durante a vida, o cientista elaborou a balança hidrostática que, posteriormente, deu origem ao relógio de pêndulo. A partir da informação da construção do primeiro telescópio, na Holanda, ele construiu a primeira luneta astronômica e, com ela, pôde observar a composição estelar da Via Látea, os satélites de Júpiter, as manchas do Sol e as fases de Vênus. Esses achados astronômicos foram relatados ao mundo através do livro Sidereus Nuntius (Mensageiro das Estrelas), em 1610. Foi através da observação das fases de Vênus, que Galileu passou a ver mais embasamento na visão de Copérnico (Sistema Heliocêntrico, o Sol como centro do Universo) em relação à de Aristóteles, onde a Terra era vista como o centro do Universo.
Por sua visão heliocêntrica, o astrônomo italiano foi a Roma em 1611, para tentar se defender da acusação de herege, terminando por assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, onde declarava que o sistema heliocêntrico era apenas uma hipótese. No entanto em 1632, ele deu continuidade aos seus estudos.
Em 1642, morreu cego e condenado por suas convicções científicas. Contudo, uma de suas obras (sobre mecânica) foi publicada mesmo com a proibição da Igreja, pois seu local de publicação foi em zona protestante, onde a interferência católica não tinha influência significativa. A mesma instituição que o condenou o absolveu muito tempo após a sua morte, em 1983.
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/081125/mundo/religi__o_vaticano
1964 - o ano que não acabou...
Atentem bem aos que estão destacados. Além de não incentivar à cultura ou ao acesso a ela, querem ainda dificultar o que já existe para diminuir o abismo colossal entre os citadinos. Cota nas universidades; cotas em cargos públicos; cota para os transeuntes frequentadores de veículos de massa; agora, cota para a cultura. Isso não é censura? Quando foi para classificar os programas, interessados, ou não, apareceram na mídia para atacar o governo, estigmatizando-o de censor. No entanto, quando é para os interesses do outro lado, oculto, das finanças, não há problema: ganha-se artista, ganha-se diretor; ganha-se produtor; ganha-se muito para poucos. Se o problema são os crimes, coibem-se. O justo não poderá pagar pelos pecadores. Se há muitos desvios da norma, então pensa-se em outro modelo, distinto do vigente. Por exemplo, aumenta-se o número de casas de espetáculo, de peças, de exposição; exige-se modelo padrão, com símbolo oficial; ou até paga-se a diferença, sugerindo às escolas escolherem tais atividades como sendo mais uma forma de avaliação. Senadores, deputados, pensai-vos. E não nos furtem o direito de sermos livres para pensar; para aprender.
2 horas, 54 minutos atrás
A Comissão de Educação do Senado aprovou hoje o projeto da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) que regulamenta a meia-entrada em casas de espetáculo, cinemas, shows artísticos, culturais e esportivos. A regra vale para estudantes e idosos com mais de 60 anos de idade. O projeto restringe a emissão da carteira de estudante apenas para matriculados em ensino regular e impõe uma cota de 40% de meia-entrada por espetáculo. O projeto combate a indústria de carteiras de estudante falsas que proliferou no País desde 2001, quando foi permitida a emissão de carteira por qualquer entidade, sem a necessidade de comprovação do estudante.
O projeto também cria o Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da Meia-Entrada e de Identificação Estudantil, que será vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República. A sessão de votação, na Comissão, foi prestigiada por artistas e produtores. Entre eles estavam Christiane Torloni, Wagner Moura e Beatriz Segall.
Os artistas vinham reclamando do prejuízo nos shows e espetáculos com o derrame das carteiras de estudante falsas, que chegavam a ocupar 80% dos espetáculos, obrigando a elevação do preço do ingresso para os não-estudantes. O projeto segue agora para o plenário do Senado e, se aprovado, seguirá para a Câmara. Caso não ocorra alteração, será encaminhado depois para a sanção presidencial. A expectativa é de que o projeto só entrará em vigor no primeiro semestre de 2009.
2 horas, 54 minutos atrás
A Comissão de Educação do Senado aprovou hoje o projeto da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) que regulamenta a meia-entrada em casas de espetáculo, cinemas, shows artísticos, culturais e esportivos. A regra vale para estudantes e idosos com mais de 60 anos de idade. O projeto restringe a emissão da carteira de estudante apenas para matriculados em ensino regular e impõe uma cota de 40% de meia-entrada por espetáculo. O projeto combate a indústria de carteiras de estudante falsas que proliferou no País desde 2001, quando foi permitida a emissão de carteira por qualquer entidade, sem a necessidade de comprovação do estudante.
O projeto também cria o Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da Meia-Entrada e de Identificação Estudantil, que será vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República. A sessão de votação, na Comissão, foi prestigiada por artistas e produtores. Entre eles estavam Christiane Torloni, Wagner Moura e Beatriz Segall.
Os artistas vinham reclamando do prejuízo nos shows e espetáculos com o derrame das carteiras de estudante falsas, que chegavam a ocupar 80% dos espetáculos, obrigando a elevação do preço do ingresso para os não-estudantes. O projeto segue agora para o plenário do Senado e, se aprovado, seguirá para a Câmara. Caso não ocorra alteração, será encaminhado depois para a sanção presidencial. A expectativa é de que o projeto só entrará em vigor no primeiro semestre de 2009.
http://br.noticias.yahoo.com/s/25112008/25/manchetes-comissao-senado-aprova-projeto-da.html
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Sem versão
Parents always
The daylight was lit in my eyes
Where he saw the golden age of my parents
With all infinite goodness of god
I want to live, I want more
It is impossible to undo the ties
Paternal united with love
The first look at the last step
surely need to heat your
just like, of the flower, the seed
us till the end, they feed
without debt, without hurt, without spite
then summed up in life and in peace
their presence, making for me
the time for generations anti-enduring
The daylight was lit in my eyes
Where he saw the golden age of my parents
With all infinite goodness of god
I want to live, I want more
It is impossible to undo the ties
Paternal united with love
The first look at the last step
surely need to heat your
just like, of the flower, the seed
us till the end, they feed
without debt, without hurt, without spite
then summed up in life and in peace
their presence, making for me
the time for generations anti-enduring
sábado, 1 de novembro de 2008
Manual do bem-comum
RECÔNDITOS DO MUNDO FEMININO
Baseado na crença de uma natureza feminina,
que dotaria a mulher biologicamente para
desempenhar as funções da esfera da vida privada,
o discurso é bastante conhecido: o lugar da
mulher é o lar, e sua função consiste em casar,
gerar filhos para a pátria e plasmar o caráter dos
cidadãos de amanhã. Dentro dessa ótica, não
existiria realização possível para as mulheres fora
do lar; nem para os homens dentro de casa, já que
a eles pertenceria a rua e o mundo do trabalho.
A imagem da mãe-esposa-dona de casa
como a principal e mais importante função
da mulher correspondia àquilo que era
pregado pela Igreja, ensinado por médicos e
juristas, legitimado pelo Estado e divulgado
pela imprensa. Mais que isso, tal representação
acabou por recobrir o ser mulher – e a sua
relação com as suas obrigações passou a ser
medida e avaliada pelas prescrições do dever
ser.
No manual de economia doméstica O lar
feliz, destinado às jovens mães e “a todos
quantos amam seu lar”, publicado em 1916,
mesmo ano em que foi aprovado o Código
Civil da República, o autor divulga para um
público amplo o papel a ser desempenhado
por homens e mulheres na sociedade, e
sintetiza, utilizando a idéia do “lar feliz”, a
estilização do espaço ideologicamente
estabelecido como privado.
“Nem a todos é dado o escolher sua morada,
pois em muitos casais a instalação depende
da profissão do chefe”, afirma o compêndio,
em consonância com o Código.
“Entretanto à mulher incumbe sempre fazer
do lar – modestíssimo que seja ele – um templo
em que se cultue a Felicidade; à mulher
compete encaminhar para casa o raio de luz
que dissipa o tédio, assim como os raios de
sol dão cabo dos maus micróbios (...). Quando
há o que prenda a atenção em casa, ninguém
vai procurar fora divertimentos dispendiosos
ou prejudiciais; o pai, ao deixar o trabalho de
cada dia, só tem uma idéia: voltar para casa, a
fim de introduzir ali algum melhoramento ou
de cultivar o jardim. Mas se o lar tem por
administrador uma mulher, mulher dedicada e
com amor à ordem, isso então é a saúde para
todos, é a união dos corações, a felicidade perfeita
no pequeno Estado, cujo ministro da Fazenda é
o pai, cabendo à companheira de sua vida a pasta
política, os negócios do Interior.”
A descrição harmoniosa do “pequeno Estado”
discriminava as funções de cada um,
atribuindo ao marido e à mulher papéis
complementares, mas, em nenhum momento,
igualdade de direitos. Acentuava-se o respeito
mútuo, que pode ser traduzido como a
expressa obediência de cada sexo aos limites
do domínio do outro. Nas palavras de Afrânio
Peixoto, “iguais, mas diferentes. Cada um
como a natureza o fez”.
(MALUF, M. e MOTT, M. Lúcia. Recônditos do mundo feminino. In: SEVCENKO, N. (org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.)
Baseado na crença de uma natureza feminina,
que dotaria a mulher biologicamente para
desempenhar as funções da esfera da vida privada,
o discurso é bastante conhecido: o lugar da
mulher é o lar, e sua função consiste em casar,
gerar filhos para a pátria e plasmar o caráter dos
cidadãos de amanhã. Dentro dessa ótica, não
existiria realização possível para as mulheres fora
do lar; nem para os homens dentro de casa, já que
a eles pertenceria a rua e o mundo do trabalho.
A imagem da mãe-esposa-dona de casa
como a principal e mais importante função
da mulher correspondia àquilo que era
pregado pela Igreja, ensinado por médicos e
juristas, legitimado pelo Estado e divulgado
pela imprensa. Mais que isso, tal representação
acabou por recobrir o ser mulher – e a sua
relação com as suas obrigações passou a ser
medida e avaliada pelas prescrições do dever
ser.
No manual de economia doméstica O lar
feliz, destinado às jovens mães e “a todos
quantos amam seu lar”, publicado em 1916,
mesmo ano em que foi aprovado o Código
Civil da República, o autor divulga para um
público amplo o papel a ser desempenhado
por homens e mulheres na sociedade, e
sintetiza, utilizando a idéia do “lar feliz”, a
estilização do espaço ideologicamente
estabelecido como privado.
“Nem a todos é dado o escolher sua morada,
pois em muitos casais a instalação depende
da profissão do chefe”, afirma o compêndio,
em consonância com o Código.
“Entretanto à mulher incumbe sempre fazer
do lar – modestíssimo que seja ele – um templo
em que se cultue a Felicidade; à mulher
compete encaminhar para casa o raio de luz
que dissipa o tédio, assim como os raios de
sol dão cabo dos maus micróbios (...). Quando
há o que prenda a atenção em casa, ninguém
vai procurar fora divertimentos dispendiosos
ou prejudiciais; o pai, ao deixar o trabalho de
cada dia, só tem uma idéia: voltar para casa, a
fim de introduzir ali algum melhoramento ou
de cultivar o jardim. Mas se o lar tem por
administrador uma mulher, mulher dedicada e
com amor à ordem, isso então é a saúde para
todos, é a união dos corações, a felicidade perfeita
no pequeno Estado, cujo ministro da Fazenda é
o pai, cabendo à companheira de sua vida a pasta
política, os negócios do Interior.”
A descrição harmoniosa do “pequeno Estado”
discriminava as funções de cada um,
atribuindo ao marido e à mulher papéis
complementares, mas, em nenhum momento,
igualdade de direitos. Acentuava-se o respeito
mútuo, que pode ser traduzido como a
expressa obediência de cada sexo aos limites
do domínio do outro. Nas palavras de Afrânio
Peixoto, “iguais, mas diferentes. Cada um
como a natureza o fez”.
(MALUF, M. e MOTT, M. Lúcia. Recônditos do mundo feminino. In: SEVCENKO, N. (org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.)
A origem de um formidável boato.
O MUNDO PARA TODOS
Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.
Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.
(BUARQUE, Cristovam. O Globo, 23/10/2000.)
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